Lady Killers, de Tori Telfer

Quando pensamos em serial killers, a imagem de Ted Bundy, Jeffrey Dahmer e tantos outros vêm à mente. As imagens, no entanto, tendem a ser predominantemente masculinas.

Pense em uma assassina em série. Tente lembrar o nome dele, onde viveu, quais foram seus crimes. É mais difícil do que parece. E por mais motivos do que se pode esperar.

“Assassinas em série são mestres do disfarce: elas andam entre nós, no mundo, como nossas esposas, mães e avós.”

Em “Lady Killers“, Tori Telfer resolveu nos expor às mulheres que podiam ser tão depravadas, doentias e cruéis quanto os homens que são lembrados pela história por suas atrocidades.

A introdução da autora já nos prepara para o que está por vir.

“Essas damas assassinas eram inteligentes, mal-humoradas, coniventes, sedutoras, imprudentes, egoístas, delirantes e estavam dispostas a fazer o que fosse necessário para ingressar no que elas viam como uma vida melhor. Foram implacáveis e inflexíveis. Estavam perdidas e confusas. Eram psicopatas e matadoras de crianças. Mas elas não eram lobos. Não eram vampiros. Não eram homens. Mais uma vez, a ficha mostra: elas eram horrivelmente, essencialmente, inescapavelmente humanas.”

O estilo do livro muito lembra “Serial Killers: Anatomia do Mal“, escrito por Harold Schechter e também publicado pela Darkside.

O dossiê de Telfer só peca, na minha opinião, pela falta de imagens. A edição “matadora” contém ilustrações de Jennifer Dahbura, que apesar de muito bem feitas, não tornam as mulheres sobre as quais estamos lendo, reais.

“Aqueles assassinatos nasceram de emoções bastante humanas – feias e desconfortáveis, com certeza, como desespero, luxúria e irritação, mas, ainda assim, humanas. Mulheres mataram para diminuir seu desespero e melhorar suas vidas.”

Já que a história dessas assassinas acaba, inevitavelmente, tornando-se parte do folclore de certos lugares, e as narrativas se tornam fantasiosas e cheias de conjecturas, acho que as ilustrações contribuem nesse aspecto, ao invés de nos dar uma dose de realidade.

Obviamente, qualquer pesquisa no Google gera resultados suficientes das mulheres para preencher as lacunas, mas é um passo a mais, que eu preferia não ter ao ler.

Ela representava o lado obscuro do ideal feminino da era vitoriana: a ideia de que nada era mais doce e puro do que uma boa mulher em casa.”

Achei interessante a escolha de Telfer, de não incluir assassinas deste século. Nannie Doss é a mais recente e viveu nos anos 1950. Segundo a autora, a escolha “foi de cunho amplamente estético; com as vítimas e suas agressoras mortas há tanto tempo, as histórias provavelmente soarão assustadoras e hipnotizantes em vez de simplesmente… depressivas.”

Telfer escreve poeticamente bem, e se tratando de um tema tão pesado e conturbado, me surpreendi por me pegar perdida na prosa da escritora, na poesia de suas palavras ao descrever os casos e a psicologia por trás deles. E se o relato pessoal dela ao descrever como foi o processo de conhecer essas histórias não te comover ao menos um pouco, não sei se podemos ser amigos.

“O amor e seus primos próximos, a luxúria e a obsessão, têm sido identificados como a ‘fonte’ dos crimes femininos desde o início dos tempos, em uma série de modos arquetípicos: a senhorita ciumenta, a amante rejeitada, a Ofélia enlouquecida, a garota manipulada por Manson. O amor oferece uma história não apenas romântica, mas prazerosa.”

A edição da Darkside está impecável, como sempre. As folhas são mais finas do que em livros comuns, então é possível que elas se rasguem se manuseadas com violência. Se você cuidar bem do livro, elas ficam perfeitas, prometo.

O livro não é para os sensíveis de estômago, e só é recomendado para maiores de 18 anos pela editora. Leia por sua conta e risco. Nós amamos.

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