A Princesa Prometida, de William Goldman

Vocês me desculpem, mas A Princesa Prometida é um dos meus filmes favoritos e o livro é sensacional, então essa resenha vai ser longa.

Eu vi o filme pela primeira vez quando estava na faculdade, numa onda de ver filmes de 1980. Eu assisti sozinha. E depois assisti de novo. E de novo. E de novo, até saber todas as falas de cabeça.

Quando entrei na livraria e vi esse livro, não deu pra resistir. Eu estava com medo de começar a ler, porque A Princesa Prometida está na minha lista de melhores filmes de todos os tempos, e eu não queria que o livro estragasse a imagem perfeita que eu tinha de Buttercup e Westley.

Acontece que o filme foi extremamente fiel à obra, e vocês vão concordar comigo, isso não acontece frequentemente. As melhores falas e diálogos do filme estão no livro, por exemplo.

O formato da obra é excepcional por si só. É um livro dentro de um livro, sobre um livro.

A sinopse

A história é a seguinte: o pai de Bill lê “A Princesa Prometida: Um Conto Clássico de Amor Verdadeiro e Grandes Aventuras”, de S. Morgenstern, para ele quando o menino tem dez anos e está doente. E assim, o livro torna-se o mundo de Bill. Ele cresce, vira autor e roteirista, se casa e tem um filho. Quando o filho completa dez anos, ele encontra o livro e o dá de presente para a criança, que não consegue ler ou entender o amor do pai pela obra.

Intrigado e perplexo pela indiferença do filho, Bill (William) começa a ler o livro, pela primeira vez. Apesar de ter ouvido a história dezenas de vezes, ele nunca havia lido a obra. Quando ele mergulha na leitura, percebe o problema: o pai havia editado o livro, contando apenas as “partes boas”, e ignorando as partes monótonas e nada interessantes para um menino de dez anos.

William então resolve reescrever o livro, editando-o como o pai fez, só com as “partes boas”. E ele conta a história de amor verdadeiro de Westley e Buttercup.

William Goldman fez um trabalho tão incrível em mesclar realidade e ficção que muita gente acha que S. Morgenstern é o autor real e criador da obra. “A Princesa Prometida é uma história fictícia baseada num livro fictício sobre supostos fatos históricos passados numa cidade que nunca existiu”. Pode parecer confuso, mas é uma delícia de ler.

Os comentários e interjeições de Goldman sobre a história são leves e engraçados e ele inclui trechos sobre sua infância, intercalados com a história de Westley e Buttercup. O mesmo acontece no filme: vemos um avô ler o livro de Morgenstern para o seu neto. A diferença é que no filme, eu ficava impaciente com as interrupções e queria matar o avô por interromper uma história épica de amor, mas no livro a dinâmica é diferente e as interrupções são naturais.

“A vida é sofrimento – retrucou a mãe. – Se alguém lhe disser o contrário, é porque está tentando vender algo.”

A história de amor verdadeiro

A história principal segue Buttercup, uma jovem que se apaixona pelo rapaz que trabalha para o seu pai. Westley decide viajar para juntar dinheiro e dar à Buttercup a vida que ela merece, mas seu navio é atacado em alto mar pelo temido pirata Roberts, e Westley é dado como morto.

Cinco anos depois, Buttercup é escolhida pelo príncipe de Florin e obrigada a casar-se com ele. Em uma de suas cavalgadas diárias, ela é sequestrada por três homens. O líder, Vizzini, é um siciliano odioso contratado para iniciar uma guerra. Fezzik é um gigante com coração de ouro, que é deixado sozinho e acaba encontrando em Vizzini um propósito para sua força e tamanho. Inigo é um espanhol buscando vingança pelo assassinato de seu pai.

“Olá, meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai, prepare-se para morrer.”

Fezzik é o personagem favorito de Goldman, e é fácil ver o por quê. Nas mudanças de pontos de vista no livro, vemos como o gigante cresceu e sofremos com ele. Com apenas seis anos, ele é coagido pelos pais a se tornar lutador, e o pequeno gigante chora ao imaginar-se machucando alguém. É de partir o coração e faz com que Fezzik seja interessantíssmo, por ter características conflitantes tão grandes.

“Quer dizer que vai largar sua pedra e eu vou largar minha espada e vamos tentar nos matar como pessoas civilizadas, é isso?”

Os três sequestradores e Buttercup são seguidos de perto por um homem de preto, interessado em capturar Buttercup para si. Quando ele derrota os três e segue para o Pântano de Fogo com Buttercup, é revelado que o misterioso homem de preto é na verdade Westley, que voltou para sua amada após cinco anos vivendo como pirata.

“ – Você me parece um sujeito decente – comentou Inigo. – Vou odiar matá-lo.
– Você também me parece um sujeito decente – respondeu o homem de preto. – Vou odiar morrer.”

O amor dos dois é tão puro e intenso que a história vira um romance de proporções épicas. Apaixonados, Buttercup e Westley têm que vencer as adversidades e o príncipe para ficar juntos. Inigo e Fezzik se juntam aos dois na empreitada. São grandes as reviravoltas, e pra mim, foi impossível largar o livro depois de começar a ler.

“…  não atravessei o mundo para perdê-la agora.”

O livro e filme são fascinantes, engraçados e romanticos. Tem algo para todo mundo. Gosta de fantasia? Tem. Gosta de romance? Tem bastante. Gosta de humor? As tiradas de Goldman, os comentários e os diálogos têm bastante. Gosta de aventuras? De vilões? De mistério? Lutas? Conflitos? Tem tudo isso também.

William Goldman faleceu há pouco tempo, no dia 16 de novembro de 2018. Ele ganhou o Oscar de melhor roteiro duas vezes, e inúmeros outros prêmio. A Princesa Prometida é a obra mais famosa dele, cultuada por fãs em todo o mundo.

“A vida não é justa, Bill. Nós dizemos aos nossos filhos o contrátrio, mas é uma coisa terrível de se fazer. Além de ser mentira, é uma mentira cruel. A vida não é justa, nunca foi e nunca será.”

“Algumas pessoas erradas morrem, e o motivo é que a vida não é justa.”

“Quer dizer, eu realmente acredito que o amor seja a melhor coisa do mundo, com exceção de balas de menta, mas também devo dizer, pela enésima vez, que a vida não é justa. Ela só é mais justa que a morte, e nada mais.”

Leu o livro ou viu o filme? Me conta o que você achou! E se não viu o filme, é um bom programa para um domingo. Pega uma pipoca e assiste!

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